sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Escuta

Pelas ruas da cidade
deixou um pouco se si
ingenuidade
trilhas sonoras

Acompanha hoje o vazio
casarões repletos de gente
endereços desconhecidos
inexistentes

O que desestabiliza
não é a fome
muito menos mesa farta
sua surdez

Fiapos de querer
foram perdidos no tempo
redimidos pela dor
dilacerados ao medo

Do fundo do pomar
grunhe o vulto da verdade
frutos estão lá
intocáveis até a queda

video

Escuta/Ana Carolina e Luiza Possi

BlogGincana de Novembro

Bom blog, para mim, é aquele em que o leitor encontra o que procura, desde o mais simples ao mais complexo. Melhor ainda, quando existe empatia com o autor.
O Luiz Carlos, do http://www.enletrado.blogspot.com/, escolheu-me para divulgar 3 bons blogs.
Gosto muito da escrita do Ramasi, http://www.tautologiaa.blogspot.com/ - que acompanho desde a sua criação. Vale a pena ir lá!
Outro, mais recente, que tem coisas muito bacanas é do Júlio, http://www.fraturaexxposta.blogspot.com/ e tem o da Valéria, artista fera, http://www.oquemeabisma.wordpress.com/ .
Agora, convido os 3 a fazerem o mesmo nos seus blogs e vocês a prestigiarem. É a gincana!!!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Novembro

Neste Finados
te olhei nas fuças
na fila do cemitério

Onde choravam
mostrei meu volume
vivo

Arrojo
tesão
está fora do caixão

video
TNT/AC_DC

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Inverso

Quer transformar
chumbo
em pluma

Toda eloqüência
quando pensa nela
se desfaz

Anda em ruas de sorveterias
avenidas cremes
amoras silvestres

Tudo que lembra ela
vira doce
lhe persegue

video

Sinônimos/Chitãozinho e Xororó & Zé Ramalho

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Caminhada

Sede demais
talvez daquela tormenta
baixasse a poeira
abrisse o céu

Não esperou
dúvida cores desbotam
vem o cansaço
certeza é partir

Tem fome
nunca se sacia
na mochila a garrafa
nos pés o tênis
confortável

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Boa Noite/Djavan

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Embora

Estão aqui
versos
mais versos
você não leu

Sobrou o disco
esquecido na estante
na memória
sua

Comigo tudo
que um dia
lhe lembraria eu
ou não

Sou um amontoado
de amor passado
materializado em entulhos
no apartamento

Da janela
insone
observo o movimento
livre
não quero voar

Chega cedo o caminhão
ordem expressa de incineração
talvez alguma doação
no baú
meus poemas

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Mentiras/Adriana Calcanhoto

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Identidade

As digitais permanecem
paradas no tempo
congelando ondas
sem quebrar o mar

Desenterrou todos os discos
livros que nem foram lidos
fotos não reveladas
amareladas na memória

Dúbio armarinho
feito de sombras
agulhas de fiar

Alinhavou sua alma
costura invisível
sem desfiar
não pode libertar

video

Esconderijo/Ana Cañas